Corte Interamericana de Direitos Humanos - Corte IDH
A consolidação do Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos marcou a institucionalização de mecanismos jurídicos voltados à tutela da dignidade humana no continente americano. Nesse contexto, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, criada a partir da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e adotada em 1969 no âmbito da Organização dos Estados Americanos, foi oficialmente instalada em 1979. Instituição judicial autônoma e de caráter multilateral, sediada em San José da Costa Rica e composta por sete juízes e juízas eleitos a título pessoal, a Corte exerce funções contenciosa, consultiva e de adoção de medidas provisórias, consolidando-se como a instância jurisdicional máxima do Sistema Interamericano para a responsabilização internacional dos Estados e a proteção efetiva dos direitos humanos.
A partir dessa estrutura institucional e de suas atribuições normativas, a atuação da Corte Interamericana tem se revelado especialmente relevante em contextos marcados por graves violações de direitos humanos, notadamente quando as instâncias internas dos Estados falham em assegurar a verdade, a justiça, a reparação integral às vítimas e a garantia de não repetição. Nesse sentido, a Corte não apenas exerce uma função jurisdicional clássica, mas também desempenha um papel simbólico e político de grande alcance.
É nesse cenário que se insere o presente comitê, ao se debruçar sobre a atuação da Corte IDH diante das graves violações de direitos humanos perpetradas pelo Estado brasileiro no contexto da ditadura civil-militar. A proposta consiste em problematizar os limites da soberania estatal frente às obrigações internacionais assumidas em matéria de direitos humanos, especialmente diante de estruturas históricas de impunidade, silenciamento e
negação da memória. Logo, ao afirmar padrões normativos que exigem verdade, justiça, reparação e garantias de não repetição, o comitê evidencia o papel da justiça internacional como instância política e jurídica capaz de tensionar ordens internas e de se afirmar como voz legítima diante da falência dos mecanismos estatais de proteção dos direitos fundamentais.
TEMA: “O Brasil no Banco dos Réus:
a Justiça Como Voz da Verdade”
Guias do Comitê:
Diretores Acadêmicos:
Rafaela Cunha Amaro
Victória Albuquerque de Moura Araújo
Diretores Assistentes:
Ana Sabrina Leite Cardoso Giovanna Medeiros Rodrigues Letycia Karla Costa Araújo Freire Manuella Fernandes e Silva
Maria Eduarda Cabral Almeida
Sofia Celina Pereira de Araujo Alves
Tutora:
Maria Emília de Lima Miranda
Filmes Relacionados:
-
. AS MENINAS. Direção: Emiliano Ribeiro. Brasil, 1995. Longa-metragem (92 min). Baseado no romance de Lygia Fagundes Telles. Disponível em: Prime Video
-
AINDA ESTOU AQUI. Direção: Walter Salles. Brasil; França, 2024. Longa-metragem (138 min). Baseado na obra de Marcelo Rubens Paiva. Disponível em: Globoplay.
Livros Relacionados:
-
ARBEX, Daniela. Cova 312: a longa jornada de uma repórter para descobrir o destino
de um guerrilheiro, derrubar uma farsa e mudar um capítulo da história do Brasil. Rio
de Janeiro: Intrínseca, 2015. -
NAPOLITANO, Marcos. 1964: história do regime militar brasileiro. São Paulo:
Contexto, 2014.
Documentários Relacionados:
1. EUNICE, CLARICE, THEREZA. Direção: Joatan Vilela Berbel. Brasil, 1979. Documentário (16 min). Disponível em: Cinelimite.
2. O DIA QUE DUROU 21 ANOS. Direção: Camilo Tavares. Brasil: Pequi Filmes, 2012. Documentário (77 min).
REFERÊNCIAS
[1] BRASIL. Relatório preliminar de pesquisa: caso Rubens Paiva. Brasília: Comissão Nacional da Verdade, fev. 2014. 17 p. Disponível em: https://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/upload/003-relatorio-preliminar-CNV.pdf. Acesso em: 07 jan. 2026.
[2] BERNARDO, André. A história da Casa da Morte contada por única sobrevivente. BBC News Brasil, Rio de Janeiro, 9 jan. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55492932. Acesso em: 07 jan. 2026.
[3] FIGUEIREDO, Lucas. Ministério do silêncio: a história do serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula 1927–2005. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 207–209.
[4] LEITE, Isabel Cristina; GUMIERI, Julia; CARVALHO, Lucila Lang Patriani de; GHERINI, Pamela Michelena de Marchi. Se eu morrer: Inês Etienne e a denúncia da violência de Estado e de gênero. São Paulo: Memorial da Resistência de São Paulo, 2021. Disponível em: https://memorialdaresistenciasp.org.br/wp-content/uploads/2021/10/seeumorrer_red.pdf. Acesso em: 07 jan. 2026.


