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Associação das Nações do Sudeste Asiático - ASEAN 1976

Em 1976, diante de um contexto marcado por grande tensão política, transformações ideológicas e econômicas travadas a partir das sombras da guerra, os estados membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) reuniram-se em Bali, na Indonésia para a realização da 1ª Conferência de Cúpula da organização. O encontro ocorreu em um momento histórico no qual a região ainda sentia os efeitos diretos de conflitos armados recentes, como a guerra do Vietnã, as guerras civis no Laos e no Camboja, além da recente invasão do Timor-Leste, bem como das instabilidades decorrentes dos processos de descolonização e das disputas de influência entre as grandes potências [1].

Diante desse cenário de insegurança regional e de fragilidade institucional, tornou-se evidente que a mera coexistência diplomática entre os Estados não seria suficiente para garantir a estabilidade e o desenvolvimento do Sudeste Asiático. Assim, para além da preocupação imediata com a preservação da paz, impunha-se a necessidade de estabelecer diretrizes comuns capazes de fortalecer a cooperação política, econômica e social entre os países membros [2].

Nesse sentido, a Conferência de Bali de 1976 assumiu papel central na consolidação da ASEAN, não apenas por reafirmar o compromisso dos Estados com a resolução pacífica de controvérsias, mas, sobretudo, por culminar na assinatura do Tratado de Amizade e Cooperação no Sudeste Asiático (TAC). Tal instrumento jurídico tornou-se um marco normativo fundamental, ao estabelecer princípios orientadores para a convivência regional e ao delinear os contornos de uma ordem regional voltada à estabilidade, à soberania e à cooperação mútua no período pós-conflitos [3].

TÓPICO ÚNICO: “A Influência da Guerra Fria nos Conflitos Armados e na Soberania do Sudeste Asiático”

No contexto da Guerra Fria, as fronteiras nacionais tornaram-se linhas de frente ideológica entre o bloco capitalista e o socialista, sendo o Sudeste Asiático um palco para a materialização dessa dicotomia em forma de conflitos armados. A soberania dos Estados da região foi colocada à prova através das intervenções das superpotências (Estados Unidos e União Soviética), uma vez que estas buscavam conter a ideologia adversária e expandir a sua própria, convertendo as regiões do mundo em campos ideológicos. Nesse quadro, conflitos como a Guerra do Vietnã, a insurgência do Khmer Vermelho no Camboja, o levante popular em Bangkok, ataques bélicos no Laos, a ocupação indonésia em Timor-Leste, insurreições comunistas e movimentos separatistas nas Filipinas, não se trata apenas de disputas internas, mas consistem no reflexo de um embate pela hegemonia global que instrumentalizava as vulnerabilidades no continente. Por esta ótica, a coesão regional e a autonomia plena das nações recém independentes estavam comprometidas [4].

A militarização da região sob a influência de Washington e Moscou (e, posteriormente, Pequim) instaurou, permanentemente, um dilema de segurança. A ideia de soberania nacional para as nações do continente se tornava cada vez mais esmaecida em razão da dependência de ajuda militar e econômica externa, tornando os governos locais cada vez mais suscetíveis às imposições externas em suas políticas domésticas. Na prática, a presença de bases militares estrangeiras e o apoio a regimes autoritários minava a autodeterminação dos povos, gerando cicatrizes sociais e econômicas que persistiram no decorrer do tempo [5].

Nessas circunstâncias, a ASEAN e a assinatura do TAC foram respostas ao cenário de tensão vivido durante a Guerra Fria. A declaração de Bangkok, documento que formalizou a criação da ASEAN, reforça muito mais do que apenas a cooperação entre países com interesses mútuos e problemas comuns, mas visava também garantir a estabilidade dos países do sudeste asiático e a segurança da interferência externa para preservar identidades nacionais, uma vez que a intervenção dos Estados Unidos e da União Soviética era massiva nos países que integravam a associação [6].

Guias do Comitê:

Diretores Acadêmicos:

Luiza Abrantes Gadelha

Luiz Felipe Pereira Lopes Ramos

 

Diretores Assistentes:

Alice de Castro Oliveira Silva

Aminah Gabriele Gomes de Medeiros

Bianca Maria Fernandes e Silva

João Dehon Brito Barros Júnior

João Pedro Varela Assis Cancio

Pedro Paulo Coelho de Almeida Requião

Tutor:

Filipe do Nascimento Barros Vilela

Filmes relacionados:

  1. FULL METAL JACKET. Direção: Stanley Kubrick. Estados Unidos: Warner Bros., 1987. 1 filme (116 min).

  2. APOCALYPSE NOW. Direção: Francis Ford Coppola. Estados Unidos: Zoetrope Studios, 1979. 1 filme (147 min).

  3. DR. STRANGELOVE OR: HOW I LEARNED TO LOVE THE BOMB. Direção: Stanley Kubrick. Estados Unidos: Columbia Pictures, 1964. 1 filme (95 min).

  4. FIRST THEY KILLED MY FATHER. Direção: Angelina Jolie. Camboja: Netflix, 2017. 1 filme (136 min).

  5. THE YEAR OF LIVING DANGEROUSLY. Direção: Peter Weir. Estados Unidos: MGM, 1982. 1 filme (115 min).

  6. THE KILLING FIELDS. Direção: Roland Jaffé. Reino Unido: Goldcrest Films, 1984. 1 filme (141 min).

  7. HEARTS AND MINDS. Direção: Peter Davis. Estados Unidos: BBS Productions, 2005. 1 filme (112 min).

  8. PLATOON. Direção: Oliver Stone. Estados Unidos: Orion Pictures, 1986. 1 filme (120 min).

 

Livros relacionados:

  1. NASCIMENTO, A. L.; LUCERO, E. F. (org.). Brazil and ASEAN: partners for peace and development. 1. ed. Brasília: FUNAG, 2024.

  2. PEREIRA, Zélia; FEIJÓ, Rui Graça. Timor-Leste: do colonialismo tardio à independência (quinze ensaios). Porto, Portugal: Edições Afrontamento; Instituto Diplomático – Ministério dos Negócios Estrangeiros, 2023.

  3. KIERNAN, Ben. The Pol Pot regime: race, power, and genocide in Cambodia under the Khmer Rouge, 1975-79. 3. ed. New Haven: Yale University Press, 2008.

  4. CRONE, Donald K. The ASEAN states: coping with dependence. New York: Praeger, 1983

Músicas relacionadas: 

1. CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL. Fortunate Son. Estados Unidos, 1969. Música.

2. DEAD KENNEDYS. Holiday in Cambodia. Estados Unidos, 1980. Música.

3. ROLLING STONES. Paint It, Black. Reino Unido, 1966. Música.

SANTIAGO, E. Saigon. Brasil, 1989. Música.

REFERÊNCIAS

[1] LINANTUD, J. Pressure and Protection: Cold War Geopolitics and Nation-Building in South Korea, South Vietnam, Philippines, and Thailand. Geopolitics, [s. l.], v. 13, n. 4, p. 635–656, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1080/14650040802275487 Acesso em jan. 2026

[2] HENDLER, B. As relações entre China e Sudeste Asiático: passado presente e perspectivas futuras. [s. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.academia.edu/download/41059995/Sudeste_Asiatico_Mundorama.pdf Acesso em jan. 2026

[3] SIMÕES, Tales Henrique Nascimento. Soberania, poder e território: O caso do Sudeste Asiático. Revista da ANPEGE, [S. l.], v. 16, n. 30, p. 422–437, 2021. DOI: 10.5418/ra2020.v17i30.10611. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/anpege/article/view/10611. Acesso em: jan. 2026.

[4] LANGHANZ, Arthur Ruschel. A ASEAN no Pós-Guerra Fria: O ASEAN Way como ambivalência estratégica diante da inserção da China e dos EUA no Indo-pacífico. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Relações Internacionais) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2025. Disponível em: https://repositorio.pucrs.br/dspace/bitstream/10923/27772/1/2025_2_ARTHUR_RUSCHEL_LANGHANZ_TCC.pdf Acesso: jan. 2026.

 

[5] KOGA, Kei. The Process of ASEAN’s Institutional Consolidation in 1968-1976: Theoretical Implications for Changes of Third-World Security Oriented Institution. RSIS Working Paper No. 234, S. Rajaratnam School of International Studies, Singapore, 24 fev. 2012. Disponível em: https://www.files.ethz.ch/isn/138882/WP234.pdf. Acesso: jan. 2026.

 

[6] SOUTHGATE, Laura. ASEAN: still the zone of peace, freedom and neutrality? Political Science, Aston University, 2021. Disponível em: https://publications.aston.ac.uk/id/eprint/43172/1/ASEAN_still_the_zone_of_peace_freedom_and_neutrality.pdf. Acesso: jan. 2026.

 

[7] HWANG, Kyu-Deug. The Historical Evolution of ASEAN and Regionalism in Southeast Asia: With a Special Reference to ASEAN’s Role in the Cambodian Conflict (1978-1989). International Journal of African and Asian Studies, v. 58, p. …, 2019. Disponível em: https://iiste.org/Journals/index.php/JAAS/article/view/50252/5192. Acesso: jan. 2026.

[8] ASPAR, C. Democracia e a independência de Timor-Leste. [s. l.], [s. d.]. Disponível em: https://revistas.ucp.pt/index.php/povoseculturas/article/view/8999 Acesso em jan. 2026

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