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Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi fundada em 4 de abril de 1949, em Washington, como uma aliança político-militar formada por países da Europa e da América do Norte, atualmente contando com 32 países membros. Historicamente lembrada como um bloco criado para conter a União Soviética no contexto da Guerra Fria, é fundamental compreender que sua fundação transcendeu a simples reação a essa ameaça externa. Desde o início, existiam interesses estratégicos ligados a impedir o ressurgimento do militarismo nacionalista na Europa e promover a estabilidade democrática entre as nações do continente.

 

Sob essa ótica, ao longo de mais de sete décadas, a OTAN demonstrou uma notável capacidade de adaptação, indo desde uma aliança militar focada inicialmente na contenção do comunismo, até uma instituição multifacetada, haja vista o complexo cenário pós-queda da União Soviética. Conforme observou o ex-Secretário-Geral Manfred Wörner, o colapso do socialismo soviético gerou um paradoxo caracterizado pela redução das ameaças diretas, mas acompanhado, simultaneamente, por uma menor estabilidade da paz. Assim, a OTAN permanece como um pilar central do hemisfério ocidental, mesmo em uma conjuntura marcada pela existência de diversos interesses conflitantes. [1]

 

Dessa forma, com o fim da Guerra Fria, a OTAN se redefiniu em seu propósito. Isso porque o papel se voltou para garantir a segurança coletiva, prevenir o ressurgimento de nacionalismos violentos e promover integração europeia. Tal transformação se refletiu na crescente influência política, econômica e estratégica sobre países fora de seu núcleo original, especialmente por meio de parcerias, cooperação internacional e missões de estabilização, consolidando o papel do organismo no contexto pós Guerra Fria.

TEMA ÚNICO: "A Nova Guerra Fria:

As perspectivas da OTAN diante da expansão da influência econômica da China no século XXI"

Atualmente, a China consolidou-se como um dos principais polos econômicos mundiais, projetando sua influência de forma significativa sobre um elevado contingente de países, sobretudo nos âmbitos industrial, tecnológico e diplomático. Esta conjuntura desafia a hegemonia construída pelos Estados Unidos da América desde o fim da Guerra Fria, perpetuando uma lógica de polarização similar à realizada ao longo do Século XX, e como resultado desta dinâmica, originam-se diversos embates no campo geopolítico. Essa expansão econômica, combinada a uma diplomacia cada vez mais ativa e uma relação cada vez mais forte em regiões como a África, a América Latina e o Sudeste Asiático, evidencia o fortalecimento do poder chinês e sua capacidade de recentralização das dinâmicas da economia mundial. [2]

Nesse contexto, a OTAN assume papel central, uma vez que, hoje, o organismo também se apresenta como espaço de coordenação política, econômica e tecnológica entre os países ocidentais. Assim, o avanço da influência chinesa provoca reflexões dentro da própria estrutura da Aliança, que passa a enxergar a China não apenas como um ator distante, mas como um competidor capaz de afetar diretamente os interesses do bloco.

O Conceito Estratégico de 2022 da organização reflete essa nova visão, na medida em que, embora admita a existência de diálogo construtivo, alerta que as políticas coercitivas chinesas podem implicar em desafios aos interesses, à segurança e aos valores da Aliança. Desse modo, a organização aponta que o uso de alavancas econômicas e a opacidade militar chinesa exigem que seus membros reduzam suas dependências em setores sensíveis, buscando fortalecer sua autonomia sem, necessariamente, romper os laços comerciais globais. [3]

Desse modo, o presente tema propõe uma análise ampla sobre como a ascensão chinesa reconfigura o equilíbrio geopolítico global e como a OTAN, enquanto símbolo da ordem ocidental, se posiciona diante dessa nova realidade. A abordagem visa discutir não apenas os aspectos econômicos e estratégicos da disputa, mas também suas implicações políticas, diplomáticas e culturais, evidenciando que o século XXI é, de fato, marcado pela transição de uma complexa dinâmica bipolarizada para uma ordem cada vez mais multipolar, em que a influência chinesa redefine o próprio significado de poder global.

Guias do Comitê:

Diretoras Acadêmicas

Ana Clara Araújo Farache Porto

Helena Campos Pires Nunes

 

Diretores Assistentes

Filipe Dantas de Freitas Barbosa

Iolanda Vitória de Medeiros Morais

Letícia Azevedo Braga

Letícia Maria Lira Cruz

Maria Fernanda Medeiros Barbosa Correia

Maria Luísa Santos Borges de Paiva

 

Tutor

Fábio Araújo de Paiva Cavalcante

Filmes e documentários Relacionados:

  1. A Próxima Guerra Contra a China (2016), 1h53min, Diretor: John Pilger. Sinopse disponível em: https://filmow.com/a-proxima-guerra-contra-a-china-t223363/. Disponível em: https://youtu.be/Oru27iw0pGw. Acesso em 07 jan. 2026.

  2. American Factory (2019), 1h55min, Diretores: Steven Bognar e Julia Reichert. Sinopse disponível em: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-270142/. Disponível na Netflix. Acesso em: 10 jan. 2026.

  3. Cold War. Série documental televisiva em 24 episódios (1998–1999). Diretores:Pat Mitchell and Jeremy Isaacs. Disponível em: https://www.youtube.com/playlist?list=PL8hNHC9nbLlzb4miGp5pZPYCk9Zw0dGke. Acesso em: 10 jan. 2026.

Livros e artigos Relacionados:

  1. GEROMEL, Ricardo. O poder da China: o que você deve saber sobre o país que mais cresce em bilionários e unicórnios. São Paulo: Editora Gente, 2019. 288 p. ISBN 978-8545203391

  2. KISSINGER, Henry. Sobre a China. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. 560 p. ISBN 978-8539002993

  3. KOTZ, Ricardo Lopes; OURIQUES, Helton Ricardo. A Belt and Road Initiative: uma análise sobre a projeção global da China no século XXI. Estudos Internacionais, Belo Horizonte, v. 9, n. 2, p. 96–113, jul. 2021. DOI: 10.5752/P.2317-773X.2021v9.n2.p96.

  4. XINRAN. As boas mulheres da China: vozes ocultas. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 256 p. ISBN: 978-8535910742

REFERÊNCIAS:

[1]  ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DO ATLÂNTICO NORTE (OTAN). A curta história da OTAN. [S.l.: s.n.], 3 jun. 2022. Disponível em: https://www.nato.int/en/about-us/nato-history/a-short-history-of-nato› about-us. Acesso em: 5 jan. 2026.

[2]  BARBOSA, Alexandre de Freitas. A ascensão chinesa, as transformações da economia-mundo capitalista e os impactos sobre os padrões de comércio na América Latina. Revista Tempo do Mundo, Brasília, v. 6, n. 24, p. 7-42, dez. 2020. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/revistas/index.php/rtm/article/download/250/250/875. Acesso em: 5 jan. 2026

[3] ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DO ATLÂNTICO NORTE (OTAN). Conceito Estratégico de 2022. Madri: NATO Public Diplomacy Division, 29 jun. 2022. Disponível em: https://www.nato.int/en/about-us/official-texts-and-resources/strategic-concepts. Acesso em: 07 jan. 2026..

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