Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura - FAO
No âmbito de debates fundamentais sobre alimentação e agricultura, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) foi fundada em 16 de outubro de 1945, em Quebec, Canadá, atuando como agência especializada das Nações Unidas. Composta por 195 membros — 194 países e a União Europeia —, essa entidade labora em mais de 130 países, liderando iniciativas internacionais para combater a fome, assegurar acesso regular a alimentos de qualidade e promover vidas saudáveis.
Dentro dessa perspectiva, representantes dos membros reúnem-se na Conferência bienal da FAO para examinar políticas globais de governança, avaliar trabalhos realizados e aprovar o orçamento do biênio seguinte. Ao mesmo tempo, a Conferência elege membros do Conselho para mandatos trienais rotativos, responsáveis pela supervisão executiva de programas e orçamentos, além de designar o Diretor-Geral por quatro anos, renovável uma vez [1].
A FAO atua por meio de uma rede descentralizada de escritórios regionais, sub-regionais e nacionais, em que o Programa de Cooperação Técnica (TCP) responde por cerca de 8% dos projetos, com US$ 1,6 bilhão executado em 2016–17, complementado por fundos voluntários. Dessa maneira, diante dos entraves mundiais recentes, como o agravamento da insegurança alimentar, e da mercantilização global dos alimentos, a UNEMUN se propõe a trabalhar tais temáticas com os seus futuros delegados e delegadas [1].
TEMA ÚNICO: "A fome tem classe: os desafios da insegurança alimentar e da desigualdade social na América Latina"
Nas palavras do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, os países são, naturalmente, filhos de sua história. Os países latino-americanos surgiram após conquistas coloniais por parte de duas potências – Portugal e Espanha – que saíram exportando ideais feudais, potencializando a grande extensão cultural e de terras que abrange do México à região da Patagônia. De sangue aborígene, africano e mediterrâneo, os povos latino-americanos têm uma unidade somática importante – a língua – e, mesmo tendo nascido tarde, lutam para oferecer esperança a toda uma humanidade [2].
Na atual conjuntura do processo de globalização, caracterizado pela integração econômica e o avanço tecnológico da ciência, a desigualdade social permanece causando efeitos massivos na América Latina, considerada a região mais desigual do planeta. A degradação dos recursos produtivos, a precarização dos empregos e a escassez de políticas públicas para a efetivação de acesso a meios de subsistência como água; terra e alimentos básicos, ou a impossibilidade de acesso a eles, proporciona um mundo desigual que cria precedentes para a fome e, assim, resulta na insegurança alimentar.
Ao analisar de maneira geral um panorama sociopolítico da América Latina, é notório que o cenário da insegurança alimentar não ocorre por uma aleatoriedade perpetuada sobre as nações latinas. A fome possui recortes e personagens demarcados e recorrentes, com cores, classes sociais e territórios específicos. No entanto, a região é produto final de uma matéria-prima histórica que impôs desigualdades sociais em seu território, seja por meio das heranças coloniais ou da utilização massiva de sistemas de produção desenvolvimentistas, marcados pela exclusão de uma parcela social [3].
Nesse sentido, ao tratar da insegurança alimentar, o ideal de justiça social, apesar de tão procurado esperançosamente pela população latina, esbarra diretamente com o poder e as escolhas políticas da região. Logo, a fome não decorre da falta de alimentos – tendo em vista toda a produção de commodities –, e sim da real desigualdade ao acesso desses alimentos. Devido à concentração de capital e renda, a arma da desigualdade alimentar tem sua mira apontada diretamente para aqueles que preenchem as populações rurais e indígenas, sem excluir a população periférica e marginalizada dos grandes centros urbanos, com foco nos grupos sociais formados por trabalhadores sub remunerados e informais [3].
O papel do comitê simulado na VI Edição da UNEMUN promove, portanto, um espaço seguro de debate e pensamento livre, para que os jovens se mobilizem em prol da defesa da dignidade alimentar na América Latina. Construindo linhas de argumentação e analisando um panorama geral de impactos pós-pandemia, a redução de acesso a políticas públicas, as mudanças climáticas, o pouco incentivo à agricultura familiar e a fragilidade das relações de poder latinas.
Guias do Comitê:
Diretores Acadêmicos:
Luís Guilherme Revoredo Martins
Victória Albuquerque de Moura Araújo
Diretores Assistentes:
Amanda Moram Odlavson Almeida
Ana Clara Araújo Farache Porto
Ana Luiza Martins Soares
Giovanna Silva dos Santos
Graziela da Cunha Braga
Luiza Costa Borges
Maria Carolina Bezerra Damásio de Souza
Maria Clara Nóbrega Bezerra
Maria Luiza Brito Felisberto da Silva
Nathalie Rocha Neuman
Nesimara Pereira Pessoa
Rita de Cássia Rodrigues do Nascimento Araújo
Rivaldo Pinheiro Tavares Filho
Tutora:
Maria Clara Medeiros Lacerda Cavalcanti
Filmes Relacionados:
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ROMA. Direção: Alfonso Cuarón. Produção: Alfonso Cuarón; Gabriela Rodríguez. México: Esperanto Filmoj; Participant Media, 2018. 135 min. Sonoro, color.
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CAPITÃES da Areia. Direção: Cecília Amado. Produção: Cecília Amado; Tizuka Yamasaki. Brasil: Globo Filmes; Columbia Pictures do Brasil, 2011. 96 min. Sonoro, color.
Livros Relacionados:
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GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina: cinco séculos de exploração do continente. 1. ed. [S.l.]: Siglo XXI Editores, 1971. 317 p.
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CAPARRÓS, Martín. A fome. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2016. 714 p.
Documentários Relacionados:
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ILHA das Flores. Direção: Jorge Furtado. Porto Alegre: Casa de Cinema de Porto Alegre, 1989. 13 min. Documentário. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jO8xT5q4ahE Acesso em: 15 jan. 2026.
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INSEGURANÇA à mesa. Direção: Visão Mundial. Produção: Visão Mundial; União BR. [S.l.]: Visão Mundial, 2021. 7 episódios. Série documental. Disponível em: https://www.youtube.com/playlist?list=PL3fmzVSyIgZYtHMXW0JixNg7kLjvYYE75.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS. Home | Food and Agriculture Organization of the United Nations, [s. d.]. Disponível em: https://www.fao.org/home/en/.
[2] MUJICA, Pepe. Mujica: “A América Latina é uma grande nação frustrada” [vídeo]. YouTube, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=l34bQV_kfSc.
[3] CIMADAMORE, Alberto D.; CATTANI, Antonio David (orgs.). Produção de pobreza e desigualdade na América Latina. Porto Alegre: Tomo Editorial, 2007. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/259669/000644395.pdf?sequence=1.
